Rosa Violada
Maria da Conseição Paranhos
A minha dor não vive em minha casa,
mas num jardim de séculos correndo
em seu tropel modaz. O tempo abrasa,
e o engenho desta hora vai sofrendo.
Das avenidas largas na cidade,
os carros atravessam linha torta
cavaleiros em motos, sem idade
vieram me abordar em minha porta.
Um levou-me o relógio. Outro o anel.
O meu cordão de ouro se partiu.
E o quarto bandoleiro me sorriu
Ao ter o meu olhar dentro do seu.
Sacou da cinta arma enrubescida.
Beijou-a. Deu-me a rosa e a minha vida.