Revistas femininas são escritas para mulheres de determinada classe social, solteiras ou casadas, profissionais, ou donas de casa, ou ainda profissionais e donas de casa, mães ou ainda filhas, independentes ou dependentes. Com a evolução da mulher na sociedade e a possibilidade de ingresso no mercado de trabalho, as mulheres resolveram escrever para si. Mas, muitas leitoras reclamam que este tipo de texto, dirigidos em especial ao grupo feminino, supostamente também deveriam ter evoluído, assim apresentando as transformações femininas, tratando-as como “mulheres modernas”.
“Não se percebe nenhum tipo de evolução nas revistas femininas em uma análise um pouco mais aprofundada. Os assuntos tratados nas revistas, de forma cautelosa, ainda conservam os valores mais superficiais relacionados à mulher como beleza, moda e fofocas, por exemplo”, relata a estudante Jéssica Barretto,20, que tem acesso à revista Ana Maria. A revista é semanal e publicada pela editora Abril. Esta tem circulação nacional e os assuntos debatidos são, em sua maioria, relacionados ao universo feminino.
Ana Maria é uma revista feminina popular que é vendida nas bancas por R$ 1,99. A leitora adquirindo as quatro edições mensais terá um gasto menor que a uma edição da revista Marie Claire, que possui edições mensais e um custo de R$ 9,90. A revista, apesar de apresentar um caráter mais popular, realiza por meio de seus textos os mesmos apelos que a maioria das revistas femininas: para ser feliz a mulher deve estar na moda, estar em forma, satisfazer a si e a seu parceiro sexualmente, possuir um equilíbrio emocional, que, na maioria das vezes tem o objetivo único de refletir seus benefícios em uma boa aparência física. Nessa revista, o editorial se apresenta com um caráter de incentivo, com uma linguagem semelhante aos livros de auto-ajuda.
Apesar de críticas em relação aos textos e conteúdos das revistas femininas, há mulheres que gostam e se identificam. Emiliane Silva Santiago, 25, lê diversas revistas femininas e diz se sentir bem em ler, por exemplo, a Marie Claire, observando, principalmente, assuntos relacionados à saúde, como algumas dietas alimentares. “Já vemos muitas coisas ruins na TV, jornais e nas outras revistas. Gosto da descontração das revistas femininas, como a moda e a estética”, alega Emiliane.
Tendo em consideração a construção da mulher como leitora e analisando a história da leitura no Brasil, pode-se dizer que os textos dirigidos ao público feminino, desde o início dos tempos, ficaram restritos a “romances melosos”, à culinária, às questões relacionadas aos filhos, à beleza e a qualquer outro tema que não exigisse grandes reflexões, pois outras questões poderiam desvirtuar a mulher de suas funções de esposa e mãe.
As construções do texto das revistas femininas apostam nas leitoras através da manipulação, do querer bem e um dever de estar na moda e estar sempre elegante.
Kelly Disse:
on Outubro 2, 2008 at 10:17 pm
Vc deveria ter acrescentado que seu texto foi realizado em “parceria” com Jane Jordan e Flávia Ramos. Inclusive a declaração da Jéssica Barreto